Chatice
Muitos me chamam de chato Poucos são aqueles que se enganam Eu deveria escrever um poema sobre a moça nua na peça Beber um copo do corpo o vinho que escorre Ser mais sensível sonhar menos socos Sem desdém desenhar um verde retrato de Baby Blue Mas é que eu ando sacocheio desse mim mesmo que fala Desse interlúdio interno que incha meu peito e extravasa Sinto vontade de comer minhas metades minhas meias inteiras Como sempre fosse feriado acordar segunda-feira planejo Amanhã debaixo das saias saio de fora do mundo mudo de rumo Esse pedaço de mim que não cabe em mim e procura refúgio Eu me sento ao centro dessa solidão sonambula Acendo um cigarro finjo que fumo, finjo que esqueço de tudo que jamais esqueço.