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Mostrando postagens de março, 2012

Conversa cretina (a ressaca)

Esses porres loucos de vida que o tempo fez passar. E é na ressaca que caem minhas últimas máscaras, onde não me preocupo em agradar e apenas me mostro como de fato sou. Há esse lado pesado, esse fardo, essa mácula que levo comigo e que pode assustar quando exposta, mas está exposto. Alguns caras têm a mania ridícula de bancar os durões, achando que essa coisa de omitir faz deles mais machos; ledo engano. Na verdade isso só prova que são covardes. Tem que ser muito homem para admitir o que se sente num mundo que, como uma Alphaville gigantesca, reprime qualquer forma de sentimento. Mas há quem diga que não se importa com a solidão, que convive bem com ela, contudo quem diz isso, ou não é verdadeiramente sozinho ou está mentindo para si mesmo. A solidão fode. Convivi com minha solidão a maior parte da vida e tudo o que aprendi foi a suportá-la, mas gostar dessa filha da puta é impossível. Seria o mesmo que acertar uma martelada nas bolas e dar gargalhadas. Não preciso de...
Se eu pudesse ser um só Se eu pudesse ser outro Se eu não fosse este nó Se fosse um estouro Se me arrancassem o couro na cama na lama na fama eu ao menos seria uma brisa e para você eu diria: “meu amor, não tema!” e você diria:  “não temo” se eu fosse mar se eu fosse mais se regurgitasse de tanta vida ou disparasse em ventania ou correnteza de rio de janeiro a janeiro se fosse tanto fosse um caleidoscópio noturno de luas de cores que eu nem sei o nome mas que são cores e não nuvens. ainda que amanhecesse tarde cinza e todos dissessem não eu cavaria um buraco e lhe mostraria como se esconder do mundo em meus desatinos. Queria poder comprar um mundo e não sonhá-lo numa garrafa. pagar o aluguel com os pelos do meu peito, me alimentar do meu próprio intelecto, romper fronteiras com minha libido, despir você em praça publica me emaranhar em seus cabelos sem ser julgado louco todaviaainda estamos e nada somos. eu sou o mesmo. você é a mesma. eu e ...
A tristeza é como o amor: quando vem, mete o pé na porta e arrebenta tudo. O coração não aguenta, entra em colapso e às vezes até morre. É como estar na 192ª página de um romance ruim. Quando você se lembra que houveram outros livros e que estes só significam alguma coisa pra você que está sempre relendo a vida: nada mais pra quem os deu: nada mais pra quem você mais amou, pra quem jamais te amou, pra quem só te quis mais perto e depois se foi. Como um clichê: um rio de águas turvas e correntezas ferozes. Como o instante que precede o abrir os olhos ao acordar de manhã : será que eu vou? Será que meus motivos ainda são suficientes para tanto? E quando o coração (todo estropiado) pergunta: que motivos? É quando você pensa em desistir de tudo. No entanto não desiste: insiste e prossegue. Mesmo sem saber pra onde. Ainda que o horizonte seja uma catástrofe: você dá um jeito. Quebra os ossos mas ainda arranca das vísceras uma esperança. E é assim que você vive quando chega ...
Do fundo do mar, que fica dobrando a esquina, alguém pode escutar: Taptap – um suspiro, um estouvivo, natimortovivo. Mas sou daqueles proibidos de sonhar, porque o mundo nasceu feio. Sou um garoto mau, tentando bancar o bonzinho porque… Porque cansei de criar motivos para me arrepender. Os anos passam, as feridas curam, mas as cicatrizes ficam. Esse sorriso rasgado na minha cara de idiota, este olhar assim: estou triste, oba! Da incerteza de quem vive na certeza do incerto. Meu tempo exato é quando. Meu instante-já é ainda. Posto que agora foi ontem e eu ando tão porenquanto que já nem me lembro mais de perder a calma. Arrancando meus olhos, quebrando ossos deficientes de cálcio. Porque o diabo tem pernas bonitas e só usa minissaia. Os anjos têm cabelo carmesim, mas como eu disse: sou um garoto mau. O diabo tem madeixas loiras, mas eu sou bom demais. Estou no meio-termo, neste mundo tão sem meio-termos. Eu que sempre fui de extremos, acabei padecendo aquém da via estreit...

Conversa cretina (moscas no copo)

Eu poderia como todas as outras vezes em que estive em situação parecida simplesmente dar de ombros e dizer: foda-se, eu não preciso de nenhuma mosca zumbindo em torno da minha bebida. Eu poderia não ficar tão triste na véspera daquilo que tenho esperado por semanas, mas sou humano demais e fraco demais e os traumas do meu passado instável ainda me fazem ter medo das coisas darem errado. Eu poderia dar um chute no meu próprio saco para ver se deixo de ser tão fraco e tão imaturo sempre implorando pelas migalhas dessa gente que a não ser para mim não vale nada. Eu poderia me contentar com o que tenho e com o que não tenho e dar minha cara a tapa para obter sucesso para os meus projetos sem me importar com o que pensam de mim ou do que faço. Mas é um chute nos bagos ter de ser visto como um imbecil pela milésima vez e estar consciente de que provavelmente o único responsável pela cagada sou eu mesmo e mais ninguém por causa da minha incapacidade de ter paciência e por eu ain...
Devo lhe dizer, amor, que tive um sonho com você. não um sonho comum, mas um desses reais, um estranho e cego sonho profético. De repente o mundo, por circunstâncias não explicadas no sonho, resumiu-se num quarto fechado, quatro paredes em preto e branco onde todas as outras cores concentravam-se apenas em você e eu. sem outras almas, sem linhas, sem distâncias, sem diferenças. só você e eu e o mundo que era um quarto de luzes apagadas. E isso persistiu por dias, meses, séculos, eras contadas a partir do primeiro segundo do tempo onírico que uniu fogo e coração para gerar uma reação química de ebulição: o conhecimento em sua matéria mais densa: nós a sós e o mundo em preto e branco. Não era um sonho apenas de sexo como os que tenho com freqüência, já que passávamos por uma tentativa de conhecimento intensiva, conversas, observações, perguntas, respostas, testes, descobertas. havia muito mais preciosidades engastadas, mais significados, segredos, enigmas e revelações incrust...