Conversa cretina (a ressaca)



Esses porres loucos de vida que o tempo fez passar. E é na ressaca que caem minhas últimas máscaras, onde não me preocupo em agradar e apenas me mostro como de fato sou. Há esse lado pesado, esse fardo, essa mácula que levo comigo e que pode assustar quando exposta, mas está exposto. Alguns caras têm a mania ridícula de bancar os durões, achando que essa coisa de omitir faz deles mais machos; ledo engano. Na verdade isso só prova que são covardes. Tem que ser muito homem para admitir o que se sente num mundo que, como uma Alphaville gigantesca, reprime qualquer forma de sentimento. Mas há quem diga que não se importa com a solidão, que convive bem com ela, contudo quem diz isso, ou não é verdadeiramente sozinho ou está mentindo para si mesmo. A solidão fode. Convivi com minha solidão a maior parte da vida e tudo o que aprendi foi a suportá-la, mas gostar dessa filha da puta é impossível. Seria o mesmo que acertar uma martelada nas bolas e dar gargalhadas. Não preciso de muitas pessoas, nunca fui de muitos amigos e sempre digo que mais de duas pessoas numa sala é tumulto. Gosto do número dois, eu mais um, e isso pode ser bem o suficiente. Só que as pessoas desse mundo fodido parecem não se empenhar para afastar a solidão que os rodeia, são uns covardes, verdadeiros patetas sempre com medo de quebrar a cara numa decepção, e o que não percebem é que a dor de uma decepção passa, já a solidão permanece e vai queimando lentamente até que não reste sequer uma carcaça do que um dia foi sanidade. O que eu digo sobre isso, é que se você quer um homem, se sente desejo, tesão, fogo ou seja lá como você prefere chamar essa coisa, se quer alguém na sua cama agora, eu posso lhe pegar com força, lhe agarrar pelo cabelo arrancando-lhe um beijo na boca, tocar os seus seios, meter minha mão entre suas coxas e a gente vai transar, e como a gente vai transar. Só que você vai acordar sozinha no dia seguinte, porque eu me recuso a ficar. É um jogo fodido demais isso de trepar por trepar e achar que adianta alguma coisa para com a solidão. Não adianta, podem dizer o que for, mas tem que ter feeling, sem sentimento a desgraçada volta logo que você acaba. E não vá pensando que sou do tipo que não sente desejo — unir as duas coisas, se lembra? eu sinto, e sinto até demais: numa escala de assexuado, morno, assanhadinho, safado, tarado e pervertido, acho que o meu ponteiro apontaria entre o tarado e o pervertido. É só instinto, não tem nada a ver com o vazio. As coisas tem que andar juntas, é isso que essas mulheres tem de meter na cabeça. E se o fizer, eu vou sim tapar os buracos do seu corpo e o farei bem, mas vou tapar da mesma forma esse buraco que você tem aí dentro e que você sente tão fundo quando se deita na cama à noite antes de dormir. É por essas e outras que vivo reafirmando: Eu não gosto de gente e, se é pra ser só, quero mesmo é entrar num foguete e mudar de planeta, de galáxia, de dimensão, ou qualquer lugar o mais longe possível desse ninho onde as cobras engolem umas às outras e nem sentem o gosto. Prefiro ir pro raio que me parta, a ter de conviver com isso pelo resto dessa vida fodida. Eu poderia dizer coisa parecida para os homens, mas não faz sentido, porque o assunto que me interessa é o sexo feminino. Eles são concorrência, eles que se virem e aprendam a ser homens com as porradas que vão levando da vida. Viver de ressaca é foda.

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