Contraponto

Metaforicamente falando, seus anseios eram como um poço no qual eu tinha que mergulhar diversas vezes por dia sem saber nadar. Todas as suas frases citadas letra por letra continham um sentido raro, uma verdade um tanto falsificada que me esgotava de uma forma tão boa que eu terminava por sorrir sem perceber. Sorrisos tão raros em mim, tão fáceis com você. Algumas vezes perdia-me e encontrava-me na beleza dos teus olhos tão aborrecidos, sonolentos e frios que pediam carinho negando aquela dor que se esconde ai por dentro entre veias e artérias, aquela coisa miúda, ao mesmo tempo forte que machucava a mim também á cada vez que você inventava de inverter as infinitas palavras sinceras que lhe dizia tentando com todo o meu ser meio problemático tapar os buracos que a vida foi deixando na tua alma. Resistiria por muito tempo nessa ideia, se não fosse pela sua mania boba de querer parecer forte usando todo o medo contido nas suas fraquezas para construir um muro em volta de si. Alguém um dia tinha que te falar mesmo que não queira ouvir, esconder-se atrás duma muralha construída de receio não é força guria. Irremediável tornou-se tudo isso, que cheguei sem querer ao ponto de fugir, recolher-me. Não é nem de longe a melhor coisa a se fazer nem o que quero, mas é sim a única coisa que posso fazer sozinho.

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