Sobre mim
Eu atendia como um desses médicos, qualquer tipo de médico. Era aquela pessoa que os outros só procuravam quando tinham algum problema, uma doença. Fora isso era um "Tomara que a morte nos separe" eterno. Eu vivi assim, fui sempre assim. As pessoas pisavam em mim e me subjugavam nos momentos em que eu mais precisava.
Eu nunca fui bom em muitas coisas, para ser sincero, nunca fui bom em nada. Eu conseguia ser bom no que não gostava, ou onde já haviam pessoas melhores do que eu. Nunca passei de um "Nota seis". A diferença é que meu ser sempre foi submerso, sempre meio escondido. Eu fui um observador, aquele menino que fica quieto, sozinho, só observando. Nunca fui um, dito, garoto comum. Eu escutava Janis Joplin. Li Neruda e Rimbaud com dezesseis anos, anarquista. Fã de poesia. Eu acreditava no amor, nos meus sonhos. Já acreditei em casamento, tinha medo de tudo. Eu acreditava que, algum dia, eu iria chegar lá. Não importava aonde, eu queria chegar. Eu escutava promessas, muitas promessas. A cada decepção que eu acabava me enterrando eu me sufocava, faltava ar. Eu quebrava todos os meus ossos ao me enterrar; eu saía do mundo. Não me deram escada para sair destes obstáculos quando nasci. A propósito, não me alertaram sobre eles. Por causa deles meus ossos tinham de ser reconstruídos um a um. E demorava...
Hoje estou aqui, tentando entender todo o mau humor, toda a dor, toda a poesia que a gente aprende e vai aprendendo neste paraíso, nessa vida. Sou como Adão e Eva, tive de sair do paraíso para enxergar a sua beleza.
É preciso estar longe pra valorizar o perto.
Eu nunca fui bom em muitas coisas, para ser sincero, nunca fui bom em nada. Eu conseguia ser bom no que não gostava, ou onde já haviam pessoas melhores do que eu. Nunca passei de um "Nota seis". A diferença é que meu ser sempre foi submerso, sempre meio escondido. Eu fui um observador, aquele menino que fica quieto, sozinho, só observando. Nunca fui um, dito, garoto comum. Eu escutava Janis Joplin. Li Neruda e Rimbaud com dezesseis anos, anarquista. Fã de poesia. Eu acreditava no amor, nos meus sonhos. Já acreditei em casamento, tinha medo de tudo. Eu acreditava que, algum dia, eu iria chegar lá. Não importava aonde, eu queria chegar. Eu escutava promessas, muitas promessas. A cada decepção que eu acabava me enterrando eu me sufocava, faltava ar. Eu quebrava todos os meus ossos ao me enterrar; eu saía do mundo. Não me deram escada para sair destes obstáculos quando nasci. A propósito, não me alertaram sobre eles. Por causa deles meus ossos tinham de ser reconstruídos um a um. E demorava...
Hoje estou aqui, tentando entender todo o mau humor, toda a dor, toda a poesia que a gente aprende e vai aprendendo neste paraíso, nessa vida. Sou como Adão e Eva, tive de sair do paraíso para enxergar a sua beleza.
É preciso estar longe pra valorizar o perto.