Sei que em alguma noite, em algum quarto logo meus dedos abrirão caminho através dos cabelos limpos e macios, canções como as que nenhuma rádio toca, toda tristeza escarnecendo em correnteza.
Conversa cretina (manual da vida)
Quando durmo, não sei se gosto de ter sonhos bons ou se me agradaria mais ter pesadelos. Se, por um lado, sonhar felicidades inalcançadas é uma espécie de alívio do mundo real e funciona como um convite para o sono, por outro, é um prenúncio de um martírio: quando acordo e descubro que minha alegria existiu apenas no plano onírico, sinto vontade de entrar em coma, dormir para sempre, tornar-me cataléptico para não ter mais de engolir o mundo sem ter ao menos uma coca-cola para ajudar a empurrar. Acordar é entrar numa nova batalha contra a vida (sim, é contra a vida que se luta e não contra a morte), dia após dia construindo trincheiras para evitar a artilharia pesada das ilusões que levam à desilusão, dar o sangue para não idealizar perfeições apenas para, no fim do dia, na cama antes de dormir, perceber que a vida não é mais do que isto: algo idealizado, uma vontade insaciável de ter algo que quando obtido não sacia, um amor de conto de fadas que só existe em contos de fa...