Cartas para ela - Parte/um
Amor, às vezes me sinto tão…
de esperar por aqueles momentos, quase entristeço, quase me entrego ao que não espera, ao que só desespera, amor, minha vida é só esperar. Mas quando estou assim, desse jeito, meio mole, eu me lembro: você está aí, em algum lugar na areia e também espera o que há de trazer as ondas do mar que um dia haverá de ser também um pouco nosso. Quando lembro, amor, uma coisa assim sem nome enche meu ser de esperança, eu fico todo todo, sorrio, sinto a sorte e respiro um pouco da sua presença ausente que está tão perto de ser presente, meu presente, recompensa por todos esses mesês em que nos entregamos em sacrifício à solidão. É uma longa caminhada, tantos passos na areia que já me é impossível contá-los, mas este rastro pela praia, assim tão longo, me fortalece ainda mais, pois sei que estas pegadas minhas já estão bem próximas de encontrar as suas. Tenho guardado tanta alegria, tantos momentos felizes, uma coleção sem fim de sorrisos para o seu sorriso, da minha boca para a sua boca, venho juntando tudo isso em caixas de papelão desde que me viram sério pela primeira vez, economizando, poupando vida para viver só com você.
me sinto tão, tão…
Mas agora a brisa que antes só trazia aroma de mar traz junto um pouco do seu perfume, o cheiro do seu corpo tão livre de máculas, o ar respirado pelos seus pulmões que enchem meus pulmões com uma sensação louca de você em mim, uma euforia de nós, suas vontades em minhas vontades que não se perdem e pedem por você mais perto, mais perto…
Já quase sinto o calor do seu hálito indo de encontro ao meu, seu toque no meu toque, nos vejo andando nessa praia rumo a um poente que nunca acaba, brincadeiras de criança em cada um de nossos momentos eternos, nossos desejos internos, essa coisa feita de nós para nós mesmos, um espetáculo dentro de nossos corações onde seremos ao mesmo tempo expectadores e protagonistas. Meus caminhos lhe procuram, nossos caminhos se encontram e se entrelaçam feito laços em duas cores roubadas do arco-íris ou de borboletas, seu roxo no meu vermelho, quando o sol fizer calar a chuva e as ondas me levarem até você.
E eu me sinto tão, tão…
Tenho carinhos feitos para os seus carinhos, entendimento para o seu entendimento, amor, já sinto minha boca na sua orelha fria sussurrando arrepios para a sua nuca. Tão tão sem você mas tão tão perto de matar essa saudade que sinto do nosso futuro e fazer moradia no seu segredo e ser a embriagues do seu passo de dança, e você nas minhas músicas, você minha melodia meu ritmo minha disritmia, desta carta para minha palavra dita, dizer que o amor chegou aí e quem levou fui eu. Tão logo, amor, isso será possível.