alguém sempre espera
e sorri e solta gritos de empolgação quando chego
trazendo na mala toda minha vontade
e nenhuma palavra interessante para dizer
que não me faça perguntar depois se
não estou sendo chato inconveniente agressivo idiota.
inseguro nato, conto histórias de garotas que eu não sei se me amaram
digo que não importa, que só importa o daqui-pra-frente
não me faço de duro e não entendo essa coisa que as pessoas têm
de endurecer cada vez mais e ocultar seus desejos,
falo sobre a vontade que tenho de encontrar
aquela outra metade que dizem que todo mundo tem
e que eu tenho certeza que encontrei justamente em você
que eu ainda não toquei e que me faz temer o presente
quando fica em silêncio e eu lembro
que a vida é tão cheia de esperas e rejeições.
sozinho na cidade, sozinho no mundo
sem um pai sem uma mãe sem amigos
sem sono ou dinheiro suficiente pra comprar
uma vidinha menos medíocre
do que acordar já esperando a hora de dormir
e nunca conseguir dormir
nem chorar
nem fugir
ou morrer.
esse é o problema: sou um fraco e amo demais a vida
que desde sempre me chuta no rabo
como as mulheres que amei e nunca me amaram
como as palavras que escrevi e
nunca me pagaram sequer um almoço
e os sonhos que só realizaram mágoas.
pouca gente sabe o que deveras eu passei
por não me adaptar
e me envergonho de dizer que já sofri na vida
tanto quanto sofri no amor
que a rua já cuspiu no meu olho quando estive
perto do olho da rua
que conheço os dois lados da coisa
e já comi salmão
e também comi sardinha pensando em salmão,
essa merda toda que não interessa a ninguém
nem a mim mesmo
e que certo tipo de gente babaca acha bonito.
meu estômago dói toda vez que penso
que ainda não vivi o bastante no alto dos meus
vinte anos de vida sem vida
e que apesar de tudo,
tudo permanece na mesma incerteza
e nesse tudo ou nada
me divido entre ser um iniciante ou um completo fracasso
e amanhã posso, quem sabe, entrar
num avião que me livrará de tudo isso
e assim fazer uma garota feliz apenas porque existo
e suar num emprego qualquer que me fará
um pouco menos indigente
e andar pela praia à noite grato pelo fim da espera.
e sorri e solta gritos de empolgação quando chego
trazendo na mala toda minha vontade
e nenhuma palavra interessante para dizer
que não me faça perguntar depois se
não estou sendo chato inconveniente agressivo idiota.
inseguro nato, conto histórias de garotas que eu não sei se me amaram
digo que não importa, que só importa o daqui-pra-frente
não me faço de duro e não entendo essa coisa que as pessoas têm
de endurecer cada vez mais e ocultar seus desejos,
falo sobre a vontade que tenho de encontrar
aquela outra metade que dizem que todo mundo tem
e que eu tenho certeza que encontrei justamente em você
que eu ainda não toquei e que me faz temer o presente
quando fica em silêncio e eu lembro
que a vida é tão cheia de esperas e rejeições.
sozinho na cidade, sozinho no mundo
sem um pai sem uma mãe sem amigos
sem sono ou dinheiro suficiente pra comprar
uma vidinha menos medíocre
do que acordar já esperando a hora de dormir
e nunca conseguir dormir
nem chorar
nem fugir
ou morrer.
esse é o problema: sou um fraco e amo demais a vida
que desde sempre me chuta no rabo
como as mulheres que amei e nunca me amaram
como as palavras que escrevi e
nunca me pagaram sequer um almoço
e os sonhos que só realizaram mágoas.
pouca gente sabe o que deveras eu passei
por não me adaptar
e me envergonho de dizer que já sofri na vida
tanto quanto sofri no amor
que a rua já cuspiu no meu olho quando estive
perto do olho da rua
que conheço os dois lados da coisa
e já comi salmão
e também comi sardinha pensando em salmão,
essa merda toda que não interessa a ninguém
nem a mim mesmo
e que certo tipo de gente babaca acha bonito.
meu estômago dói toda vez que penso
que ainda não vivi o bastante no alto dos meus
vinte anos de vida sem vida
e que apesar de tudo,
tudo permanece na mesma incerteza
e nesse tudo ou nada
me divido entre ser um iniciante ou um completo fracasso
e amanhã posso, quem sabe, entrar
num avião que me livrará de tudo isso
e assim fazer uma garota feliz apenas porque existo
e suar num emprego qualquer que me fará
um pouco menos indigente
e andar pela praia à noite grato pelo fim da espera.