forgotten diary

De repente o que antes parecia misturado, confuso, disforme, se organizou numa certeza que, por algum tempo, eu fingi esquecer para tentar me adaptar melhor às minhas possibilidades. Mas alguém me fez lembrar de que eu não sou do tipo que se adapta ao mais fácil — e neste caso, o mais fácil exigia de mim que eu me tornasse uma pessoa mais dura, mais frias, o que vai contra os meus princípios. Só que sendo o que eu realmente sou, eu conversava comigo mesmo, optava automaticamente pelo quase-impossível, pela historinha de filme ou romance barato, e no mundo de hoje isso é escasso. Pouco importa, eis a luz, eis a possibilidade e sim, é possível, além disso felicidade não se consegue sem correr riscos. Abrir mão assim de um desejo que me bagunçava os sentidos mas por uma boa causa, algo mais duradouro, um futuro. E por esse futuro eu me dou inteiro, estou decidido, quero assim, na cidade do meu coração, ela, nós, risos de criança. (talvez digam que eu não estou sendo claro, que falo por enigmas, mas eu não quero mesmo ser claro, escrevo isto para mim mesmo, não é um outdoor da minha vida, é só um diário). Por que parece tão difícil para as pessoas entenderem que alguns ainda são românticos? é tão complicado assim assimilar que eu ainda quero algo bem parecido com o que queria quando era adolescente? sim, namorada, namoradinha, flor roubada de canteiro, horas e horas de mãos dadas, silêncio falando mais do que palavras, palavras de carinho, sonhos bons, suspiros, sussurros, companheirismo, paixão, cumplicidade, planos… as pessoas desistem de forma fácil demais e assim inventam que o amor está fora de moda, que é démodé querer ser só de uma e abandonar a ilusão das farras de final de semana. mas o amor não sai de moda, é igual o samba, às vezes parece sumido, mas na verdade ele ainda está lá, tocando baixinho na casa de alguém, esperando até a hora de voltar a ser o centro das atenções. sou um escritor jovem, ainda não tenho livro publicado, e escrevo muito sobre mulheres para que mulheres leiam, tenho um histórico terrível com relacionamentos, mas na maioria deles amei demais e não é porque caí várias vezes que tenho que começar a querer outras coisas. quem disse que essas são as regras e, se são, quem vai me dizer para segui-las? existe um filme do Jean-Luc Godard chamado Alphaville que conta a história de uma cidade onde as pessoas eram proibidas de ter sentimentos, e me entristece ver que o mundo de hoje não está muito longe de se tornar uma grande Alphaville globalizada. só que eu não posso mudar o mundo, não tenho como enfiar na cabeça das pessoas que sentimento é uma coisa boa, então me preocupo com a minha vida, esta sim eu posso melhorar e a melhora que eu quero é fazer dela comédia romântica, final de novela, e não luta de boxe, jogo de xadrez ou qualquer outra coisa do tipo. as conseqüências? com certeza um bocado de gente invejosa que não tem mais o que fazer vai falar asneiras nas minhas costas, mas por outro lado, vou estar bem longe, com um sorrisão no rosto, minha menina rindo do lado, e nem sequer uma lembrança vaga de que eles existem.

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